Fim de semana em Diamantina

Chovia, na estrada e na cidade. Voltar à terra em que passei parte importante da infância é sempre bom para mim. Ainda mais que a maioria das casas, das ruas e o cenário pouco mudaram, passados tantos anos.

Essa é a vantagem de se viver em cidades tombadas pelo Patrimônio Histórico.  O certo é que sempre que posso, e posso menos do que mereço, pego o carro e me dirijo às pedras capistranas de Diamantina.

O motivo dessa vez era o “Diamantina Gourmet”, festival gastronômico que se realiza ali por duas semanas. Os diamantinos são muito criativos, não gostam de copiar o que existe. Assim é que, ao contrário de muitas festividades desse tipo, em que se costuma chamar os grandes mestres da culinária para exibir seu saber na arte de cozinhar,  ali se partiu de um outro princípio.

Os mestres foram convidados, com antecedência, para ministrar cursos para os profissionais de lá. O intercâmbio trouxe o conhecimento de fora, que foi incorporado às habilidades próprias da gente do lugar. Os vários restaurantes do velho Tijuco podem agora nos presentear com o sabor e a riqueza da insuperável cozinha mineira, acrescida da ciência que se adquiriu nos cursos.

O Clube da Esquina foi o homenageado da festa deste ano. Um dia, estava eu quieto em minha casa em Beagá, e fui acionado pela Mariana, da Pousada do Garimpo. Ela tinha escolhido uma música, “San Vicente”, minha e do Milton, para ser o tema do prato que ela queria oferecer aos convidados. Conversamos sobre a letra e, findo o telefonema, fiquei imaginando como ela resolveria em comida o que eu dissera em palavras a respeito de um tempo conturbado do nosso continente sul-americano. Ela me surpreendeu agradavelmente, juntamente com o Chef  Vandeca, com a compreensão do sentido mais profundo da canção: a integração entre os povos aqui do nosso lado da América, mensagem implícita, em meio à dor daquele tempo.

Com a chuva e o frio me dediquei às melhores qualidades de Diamantina: bebida, comida, amizade e música. O meu prato ficou supimpa.Entrada: ceviche peruano agregado aos nossos surubim e abacate manteiga e insumos orgânicos.

Prato principal: lombo ao vinho com virado de quinoa (originário do Peru, Colômbia e Chile) e couve mineira e batatas ao molho huncaina da Venezuela. Na sobremesa quiseram se alimentar de nós. Fernando, Milton e Mercedes Sosa foi o nome que deram à combinação de doce de leite, queijo , compotas e pastelzinho.

Até o dia 18 você pode ir até lá, curtir Diamantina e comer outras delícias como a esfiha de carne moída e ora pro nobis.  Recomendo essas e outras alegrias diamantinas.

Esta crônica foi originalmente publicada no Estado de Minas, em novembro de 2012. 

2 Comentários

  1. Miltinho
    Postado em 18/11/2012 às 11:38 pm | Permalink

    Brant salvou meu domingo. Invejo-o com sabor de vidro e corte, lombo ao vinho com virado de quinoa e couve mineira e batatas ao molho huncaina.Sobremesa à combinação de doce de leite, queijo , compotas e pastelzinho.
    Pena que a sugestão veio tarde, afogo-me com água da própria boca.

  2. Vivina Assis Viana
    Postado em 21/11/2012 às 2:00 pm | Permalink

    Estive em Diamantina uma vez só, há alguns muitos anos, mas o gostinho do “ora pro nobis”, cmo era de se esperar, revelou-se inesqucívell, talvez eterno. Como as pedras capistransa.

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