Más notícias do país de Dilma (26)

“É muito difícil para qualquer governo, por mais esforço que faça, ter uma equipe de ministros tão horrorosa quanto a que foi escolhida pela presidente Dilma Rousseff.”

Há textos que a gente gostaria de ter escrito. Dá inveja. É o caso desse trecho do artigo de J. R. Guzzo, publicado na Veja com data de capa de 26/10/2001.

A rigor, ela deveria ter sido incluída no Más Notícias do País de Dilma volume 25, o que reuniu notícias e análises que comprovam a incompetência do governo publicadas entre 1º e 27/10. Não a incluí. Mas ela precisa constar destes apanhados semanais.

O texto de Guzzo prosseguia assim:

“De onde saiu essa gente toda? O acaso, apenas, não é suficiente para explicar uma calamidade desse tamanho. É preciso fazer força, e muita, para chegar lá – afinal, a dificuldade para armar um ministério nota 10 é a mesma que se tem para armar um ministério nota zero, ou quase isso, como é o caso da turma que está aí. A comprovação de sua ruindade está no desempenho que vem tendo, conforme mostram os fatos.”

Aqui vai, então, o apanhado de notícias e análises que comprovam a ruindado do governo publicadas entre os dias 28/10 e 3/11:

Corrupção, roubalheira, ladroagem

 * Maioria de ONGs sob suspeita é ligada ao PCdoB, que se mantém no Ministério

“Cerca de 73% do dinheiro comprovadamente desviado ou mal aplicado por organizações não governamentais no Programa Segundo Tempo irrigaram entidades ligadas ao PCdoB, partido que continua à frente do Ministério do Esporte mesmo depois da saída de Orlando Silva. Levantamento feito pelo Globo nas 16 tomadas de contas especiais (TCEs), nas quais o próprio governo detectou irregularidades em convênios com as ONGs, mostra que, em oito delas, os alvos são grupos dirigidos por filiados à legenda ou pessoas que tiveram ligação estreita com os comunistas em quatro estados. O governo busca recuperar – com o apoio da Polícia Federal, do Ministério Público Federal (MPF) e do Tribunal de Contas da União (TCU) – de R$ 28,3 milhões, apenas de convênios fechados entre o Segundo Tempo e as ONGs. Deste montante, R$ 20,6 milhões abasteceram os cofres de entidades atreladas ao PCdoB em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro e Tocantins. (Roberto Maltchik, O Globo, 30/10/2011.)

* “Ministério do Esporte favorece prefeitos do PCdoB”

“Mais de um terço das prefeituras comandadas pelo PCdoB estão na lista das atuais beneficiadas por recursos do programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte, pasta que é controlada pelo partido desde 2003. Em termos proporcionais ao desempenho eleitoral, o partido é o líder disparado do ranking de convênios. Dos 41 prefeitos que os comunistas elegeram nas últimas eleições, 15 (37%) receberam recursos do Segundo Tempo, programa destinado a jovens e crianças ‘em situação de risco social’. Empatados, PT e PPS têm a segunda maior taxa de prefeitos atendidos – apenas 7%.” (Daniel Bramatti, Estadão, 31/10/2011.)

* Afilhados lideram cargos de confiança no Esporte

“Alvo de suspeitas de desvios de verbas para beneficiar o caixa do PC do B, o Ministério do Esporte lidera o ranking das pastas que mais nomearam pessoas sem nenhum vínculo com o funcionalismo público para seus cargos de confiança. Um levantamento feito pela Folha mostra que, do total de cargos de confiança desse ministério, 66% são ocupados por funcionários de fora dos quadros públicos. O número supera o teto estipulado para a contratações de trabalhadores não concursados para órgãos federais. (Fernando Mello e Natuza Nery, Folha de S. Paulo, 30/10/2011.)

* “Dinheiro do Esporte e do DF para empresa do PCdoB”

“Dois dirigentes do PC do B receberam recursos públicos por meio de uma empresa de consultoria, a Casa de Taipa Comunicação Integrada. A empresa foi criada para atuar em projetos ligados ao Ministério do Esporte, a pasta que é comandada pelo partido. Um dos donos da empresa é Júlio César Filgueira, ex-secretário do ministério e filiado ao PC do B. Seu sócio, Oswaldo Napoleão Alves, é também do partido e coordenador do núcleo de ensino e pesquisa da Escola Nacional da legenda comunista. Em agosto passado, a consultoria dos dois comunistas recebeu R$ 825 mil da Confederação Brasileira de Desporto Universitário (CBDU). Júlio Filgueira deixou o ministério em outubro de 2009. Em dezembro criou a Casa de Taipa com Oswaldo Napoleão. Em agosto deste ano a empresa foi contemplada com o contrato. (Leandro Colon, Estadão, 1º/11/2011.)

* Posse no Esporte vira ato de desagravo ao PCdoB”

“As denúncias de corrupção no Ministério do Esporte e de aparelhamento da pasta pelo PCdoB passaram longe das cerimônias de posse do novo ministro, Aldo Rebelo, e de transmissão do cargo. Chamado de vítima por Aldo, o ex-ministro Orlando SAilva foi elogiado pela presidente Dilma Rousseff, que, em seu discurso no Palácio do Planalto, lhe desejou ‘muito sucesso em sua cruzada pela verdade’. Ao lembrar que Aldo também é do PCdoB, ela disse que preserva o apoio de um partido cuja presença em seu governo considera ‘fundamental’. No ministério, onde transmitiu o cargo, Orlando ganhou flores e chococates. Mas quem roubou a cena foi o presidente do PCdoB, Renato Rabelo, com o primeiro e mais longo discurso da tarde, no qual disse que o partido sai ‘unido e engrandecido’ da crise que derrubou Orlando.” (O Globo, 1º/11/2011.)

* “A bizarra despedida de Orlando Silva”

“Algo parecia não fazer sentido na saída festiva de Orlando Silva do cargo de comissário-mor do PCdoB no Ministério do Esporte, substituído, por evidências de corrupção, pelo deputado Aldo Rebelo, do mesmo partido.(…) Tratado como se tivesse sofrido grande injustiça, Orlando Silva chegou a merecer palavras especiais mesmo de quem achou que ele não poderia continuar, a presidente Dilma Rousseff. ‘Orlando Silva não perde meu respeito…’ (…)

“Dilma não evitou a participação calorosa na festa de Orlando Silva, mesmo com o ex-ministro acionado pelo Ministério Público Federal, na companhia do antecessor, Agnelo Queiroz, junto ao Superior Tribunal de Justiça (STJ). Tampouco o fato de a Controladoria Geral da União (CGU) cobrar do ministério a comprovação de gastos de R$ 49 milhões feitos em convênios a partir de 2006 constrangeu a presidente. Na essência, o mesmo comportamento ocorreu em demissões anteriores, em que a presidente se derramou em elogios ao PR de Alfredo Nascimento e ao PMDB de Wagner Rossi e Pedro Novais.

“A própria Dilma, na festa de Orlando, deu a chave da charada: ‘Perco um colaborador, mas preservo o apoio de um partido cuja presença no meu governo considero fundamental.’ É devido a esta visão, pela qual vale tudo para manter a base parlamentar, que Dilma resolve ela própria envergar a saia justa de fazer mudanças necessárias no ministério, mas com o risco de deixar tudo na mesma. (Editorial, O Globo, 2/11/2011.)

“Mais uma vez, é apresentado ao povo brasileiro o espetáculo do elogio à corrupção.” (Agenor Magalhães, leitor, O Globo, 2/11/2011.)

* “Um decreto tenta fechar a porta depois que diversos larápios se serviram dos cofres”

“Na mesma segunda-feira em que a transmissão do cargo no Ministério do Esporte se converteu em ato de desagravo ao titular afastado, Orlando Silva – a quem a presidente Dilma Rousseff louvou pelo ‘excepcional trabalho’ e que o substituto Aldo Rebelo considerou ‘mais do que inocente, uma vítima’ -, entrou em vigor o decreto destinado a moralizar os negócios da administração federal com entidades privadas sem fins lucrativos, a começar das organizações não governamentais (ONGs). Desde que, em 2003, o PC do B de Orlando Silva e Aldo Rebelo foi premiado pelo então presidente Lula com o Ministério do Esporte, pelo menos 41 ONGs ligadas à legenda receberam recursos públicos para a execução de programas da pasta. O grosso do dinheiro ou foi desviado pelos controladores das ONGs de fachada ou, a julgar pelas denúncias que derrubaram Orlando Silva, carreado para o caixa 2 do “partido do socialismo”. Revelação similar de corrupção já havia apeado o ministro do Turismo, Pedro Novais, do PMDB.” (Editorial, Estadão, 2/11/2011.)

* Ex-ministro do Esporte ajudou o PM que depois delataria corrupção

“Gravações da Polícia Civil mostram que o governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz (PT), prometeu ajudar o policial militar João Dias Ferreira, pivô da queda do ex-ministro Orlando Silva (PCdoB), a preparar a defesa no processo em que é acusado de desviar dinheiro do Ministério do Esporte. Os diálogos, divulgados nesta terça-feira pelo DF TV, da TV Globo, mostram intimidade entre o governador e João Dias. Numa das conversas, gravadas com autorização judicial, Agnelo chama o policial de ‘meu mestre!’. Em outro trecho, Ana Paula, mulher de João Dias, pede a Agnelo que contrate advogados para defender o policial, que acabara de ser preso por conta das acusações de desvios de dinheiro do programa Segundo Tempo, do Ministério do Esporte. Os diálogos foram gravados entre fevereiro e março de 2010. Ex-ministro do Esporte, Agnelo era na época diretor da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Acossado pelas investigações, o policial recorreu a Agnelo, que, meses depois, seria eleito governador do Distrito Federal.” (Jailton de Carvalho, O Globo, 2/11/2011.)

* Faltam fiscais e sobram processos para investigar contratos com ONGs

“A determinação expressa da presidente Dilma Rousseff de devassar convênios com organizações não governamentais (ONGs) esbarra numa carência crônica do governo que o decreto assinado por ela, sozinho, não resolve: a estrutura de fiscalização dos ministérios para análise das prestações de contas é raquítica, gerando pilhas de casos acumulados. Uma auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) mostra que, conforme a pasta, cada servidor tem de dar conta de mais de 300 processos com prazo vencido. O TCU levantou o número de funcionários disponíveis para avaliar a regularidade da aplicação das chamadas transferências voluntárias, celebradas pelo governo por meio de convênios e termos de parceria, não só com ONGs, mas com prefeituras, estados e outros entes públicos. Aprovada em novembro de 2011, a auditoria mostrou que havia 1.061 servidores para a função, mal distribuídos.” (Fábio Fabrini, O Globo, 1º/11/2011.)

* Ex-ministro da Agricultura será indiciado pela PF

“Dos cinco ministros demitidos pela presidente Dilma Rousseff em meio a denúncias de irregularidades, o ex-deputado Wagner Rossi (PMDB-SP) é o que está em situação mais grave. Na próxima semana, a Polícia Federal deverá indiciar o ex-ministro da Agricultura por formação de quadrilha, peculato e fraude em licitação. O ex-ministro também será chamado para depor. Rossi é acusado de beneficiar empresas de amigos no período em que esteve à frente do Ministério da Agricultura. O ex-secretário-executivo do ministério Milton Ortolan e o lobista Júlio Fróes também serão intimados para depor no mesmo inquérito.” (Jailton de Carvalho e Carolina Brígido, O Globo, 29/10/2011.)

* Ex-ministro era “líder de organização criminosa”, diz relatório da PF

“Relatório de 40 páginas da Polícia Federal descreve o modus operandi do ex-ministro Wagner Rossi (Agricultura), apontado como ‘líder da organização criminosa’ que teria arquitetado fraude no Programa Anual de Educação Continuada (Paec) – capacitação de servidores – para desvio de R$ 2,72 milhões. A PF vai indiciá-lo criminalmente nesta semana, imputando a ele formação de quadrilha, peculato e fraude à Lei de Licitações. Segundo o relatório, a investigação descobriu ‘verdadeira organização criminosa enraizada no seio do Ministério da Agricultura’. A PF sustenta que ‘os investigados, muitos travestidos de servidores públicos, atuavam no âmbito de uma estrutura complexa e bem definida, agindo com o firme propósito de desviar recursos da União’. (Fausto Macedo, Estadão, 31/10/2011.)

 * “A vontade política dos companheiros é grande e a carne é fraca”

“Orlando Silva é inocente. Ou, pelo menos, quase inocente. Estava apenas cumprindo o script preparado por seus caciques – aqueles que apareceram de cocar em Manaus, inaugurando uma ponte de R$1 bilhão. Pode-se imaginar a perplexidade do ex-ministro dos Esportes, em suas conversas privadas com Dilma e Lula sobre a crise no seu ministério: ‘Ué, não pode mais pegar do Estado pra engordar o partido? Ninguém me avisou nada.’ (…) O PCdoB não fez nada de mais. Apenas reproduziu no Ministério dos Esportes a tecnologia consagrada pela Justiça, pelo Congresso e pelo povo na cúpula do governo popular. Orlando Silva teria todo o direito de perguntar aos caciques: a implementação do processo de inclusão dos companheiros vai acabar logo na minha vez, cara-pálida? (…)

“Ao mandar Orlando Silva resistir, Lula estava exigindo o cumprimento de sua ordem unida após a degola dos outros ministros: ‘O político tem que ter casco duro.’ Faz sentido. Os superfaturamentos no Dnit, os convênios piratas no Turismo, o tráfico de influência na agricultura, a consultoria milionária de Palocci, os desvios na Bolsa Pesca, o ralo não governamental nos Esportes e outras peripécias da aliança progressista de esquerda que manda no Brasil são irrelevantes. Ou melhor: são a alma do negócio, mas isso é assunto deles. O importante é neutralizar as manchetes e manter o cabide. Com casco duro.” (Guilherme Fiúza, O Globo, 29/10/2011.)

* O perverso processo de tomada da máquina estatal

“Não somos uma República bananeira. Mas também não podemos ser uma República de laranjas. Esse processo de tomada da máquina estatal não é perverso apenas por desviar dinheiro de áreas necessitadas. É um processo cuja estratégia é a permanência no poder, reduzindo as chances de alternância democrática. (…)

Classificar a luta contra a corrupção como algo da direita moralista, congelando-a em outro momento da História do Brasil, é a cereja no bolo do festival de equívocos. Corrupção, esporte, Copa do Mundo. Não é fórmula para vencer. Como dizer isso aos patriotas do PC do B, que têm um cargo de direção na Agência Nacional do Petróleo e constroem uma casa de campo em cima de um oleoduto da Petrobrás? Responderiam que torcemos contra o clube verde e amarelo, do qual se sentem sócios proprietários.” (Fernando Gabeira, Estadão, 28/10/2011.)

 Descalabro e incompetência nas mais diversas áreas

 * Governo já deu R$ 42,8 milhões para UNE desde a posse de Lula

“Comandada por dirigentes ligados ao PC do B desde que voltou à atividade formal, em 1979, a União Nacional dos Estudantes (UNE) ainda não tirou do papel o prédio de 12 andares que promete construir em um dos melhores pontos da Praia do Flamengo (zona sul do Rio de Janeiro) com os R$ 44,6 milhões a que tem direito como indenização pelos danos sofridos durante o regime militar. Embora a União tenha pago R$ 30 milhões aos estudantes em dezembro passado, quando o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou do lançamento da pedra fundamental da obra, o terreno continua intacto. Os outros R$ 14,6 milhões estão prometidos pela presidente Dilma Rousseff desde o início do ano, mas ainda não foram liberados. Além dos R$ 30 milhões da indenização, a UNE recebeu, durante os dois mandatos de Lula, R$ 12,8 milhões da União, graças a convênios com instituições federais, inclusive o Ministério do Esporte, entregue ao PC do B desde o início do governo petista. O valor é 11,6 vezes maior que o R$ 1,1 milhão liberado nos dois governos do tucano Fernando Henrique Cardoso. Houve repasses apenas em 1995, de R$ 100 mil, e em 2002, de R$ 1 milhão.” (Luciana Nunes Leal e Bruno Bogossaian, Estadão, 3/11/2011.)

* Estradas do governo péssimas, estradas sob concessão muito melhores

“A Pesquisa CNT de Rodovias 2011, desenvolvida entre 27 de junho e 4 de agosto e divulgada quarta-feira passada, mostra que 57,4% das estradas de rodagem do País têm deficiências e 26,9% estão em situação crítica. (…) As discrepâncias entre a conservação das estradas sob a responsabilidade do governo e do setor privado são enormes: nos 15.374 km de vias sob concessão, 48% são ótimos; 38,9%, bons; 12%, regulares; e apenas 1,1%, ruins – nenhuma foi considerada péssima. Já nos 77.373 km de rodovias sob gestão pública, apenas 5,6% foram considerados ótimos; 28,2%, bons; e 34,2%, regulares. As ruins chegam a 21,5% e as péssimas, a 10,5%.(…) Os agentes econômicos, em resumo, estão à mercê da política rodoviária federal, que ignora o êxito das concessões de estradas à iniciativa privada, bem-sucedidas em São Paulo, permitindo até a redução do valor dos pedágios, como ocorreu na Rodovia Ayrton Senna.” (Editorial, Estadão, 31/10/2011.)

* TCU mostra custo desnecessário de R$ 17 milhões no Galeão

“Para cada R$ 100 que a Infraero planejava gastar na primeira etapa da reforma do Terminal 2 do Aeroporto Internacional Tom Jobim (iniciada em 2009) R$ 23,66 apresentavam indícios de irregularidades, segundo o Tribunal de Contas da União (TCU). Os auditores do TCU calcularam que R$ 17,4 milhões dos R$ 73,9 milhões, previstos inicialmente para a obra, seriam gastos desnecessariamente. De acordo com o relatório do ministro Valmir Campelo, o erro foi considerado grave e a ameaça de paralisação da obra por parte do tribunal só não foi à frente porque a Infraero fez alterações no contrato para corrigir parte do valor. Os R$ 17,4 milhões que o TCU identificou como desperdício de dinheiro público equivale a quase três vezes (248,6%) de tudo o que a Infraero investiu no Tom Jobim, entre janeiro e agosto deste ano (R$ 7 milhões), segundo o Sistema Integrado de Administração Financeira do Governo Federal (Siafi). (Duílio Victor, O Globo, 31/10/2011.)

* Governo dobra repasses para os sindicatos. E não fiscaliza nada

“As verbas do imposto sindical repassadas pelo governo às entidades dobraram entre 2008 e 2011. Só este ano, devem chegar a R$ 2 bilhões. Com isso, não param de pipocar novos sindicatos. Quase 10 mil deles já recebem dinheiro. (…)

“Se o ritmo de arrecadação do imposto sindical registrado nos últimos anos for mantido, em 2012 os recursos recolhidos e repassados pelo governo federal para sustentar as entidades sindicais vão alcançar a marca de R$ 2 bilhões, consolidando o tributo como a mina de ouro do sindicalismo brasileiro. O volume é quase o dobro do que os sindicatos receberam há quatro anos. Somente entre janeiro e setembro deste ano, sindicatos, federações, confederações e centrais sindicais já receberam quase R$ 1,7 bilhão, dinheiro que não passa por qualquer fiscalização de órgãos governamentais. Só o valor repassado às entidades nesses últimos nove meses é o equivalente a todo o dinheiro transferido pelo governo federal às prefeituras e ao governo do Amapá no mesmo período. É na carona dessa arrecadação bilionária que vem crescendo ano a ano o número de sindicatos no Brasil, contrariando uma tendência mundial de unificações e fusões de entidades.” (Silvia Amorim, O Globo, 3/11/2011.)

* Dinheiro público ajuda a pagar feriadão na praia para juízes do Trabalho e respectivos/as

“Cerca de 320 juízes e seus acompanhantes estão contando com o apoio de empresas estatais para fazer turismo esportivo em Porto de Galinhas (PE). O Banco do Brasil e a Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf), vinculada ao Ministério das Minas e Energia, bancaram parte dos Jogos Nacionais da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra), uma maratona de provas em resorts à beira-mar, com modalidades que vão do tiro esportivo ao pingue-pongue e ao dominó. Os Jogos Nacionais da Anamatra começaram no sábado e terminam nesta quarta-feira. A Anamatra admite ter recebido R$ 180 mil em patrocínios, sendo R$ 50 mil do BB e R$ 35 mil da Chesf. A Secretaria de Turismo de Pernambuco também contribuiu com despesas de uma orquestra de frevo.” (Fábio Fabrini, O Globo, 2/11/2011.)

 A incompetência na Educação

 * MPF pede anulação da prova do Enem ou das perguntas vazadas

“O Ministério Público Federal pediu ontem (quinta, 27/10) o cancelamento da decisão do Inpe de obrigar 639 alunos do Colégio Christus a fazer uma nova prova do Enem. Na ação, o procurador da República Oscar Costa Filho defende o cancelamento do exame em todo o País ou, pelo menos, a anulação de 13 questões de todos os estudantes.” (Pando Saldaña, Estadão, 28/10/2011.)

* “Justiça anula as 13 questões do Enem que vazaram”

“A Justiça Federal do Ceará decidiu anular as 13 questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que vazaram para os alunos do colégio Christus, de Fortaleza, Ceará, antes da avaliação. A decisão é válida para estudantes que prestaram a prova em todo o Brasil. A decisão foi tomada em resposta a Ação Civil Pública pelo Ministério Público Federal (MPF) contra o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira  (Inep), que pediu anulação total das provas Enem 2011 realizadas nos dias 22 e 23 de outubro de 2011.”  (João Paulo Carvalho, Estadão, 1º/11/2011.)

* MEC pressiona e governo vai recorrer contra anulação de questões do Enem

“O governo vai recorrer da decisão da Justiça Federal do Ceará que anulou 13 questões do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem). A opção pelo recurso foi tomada por pressão do ministro Fernando Haddad contra a decisão da Advocacia-Geral da União (AGU), que ontem pela manhã queria evitar disputa judicial em torno do exame. (Estadão, 2/11/2011.)

* “O desvio dos objetivos e funções do Enem tem sido causa de boa parte de seus problemas”

“O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) voltou a apresentar problemas de vazamento de questões pelo terceiro ano consecutivo. Desta vez, o incidente ocorreu em Fortaleza, onde 14 questões da prova de 2011 foram usadas dez dias antes num simulado aplicado a 639 estudantes por uma escola particular – o Colégio Christus. Pelas redes sociais, circulam informações de alunos de outras escolas que também teriam obtido previamente as perguntas do Enem. (…) Os especialistas em educação alegam que os sucessivos problemas de vazamento das questões do Enem decorrem da inépcia com que o MEC vem reformulando a função dessa prova. Previsto pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação, o Enem foi criado em 1998, no governo do presidente Fernando Henrique Cardoso, com o objetivo de medir a qualidade do ensino médio. Era, basicamente, um mecanismo de avaliação. Em 2009, durante o segundo governo do presidente Lula, o MEC passou a usar os resultados da prova para classificar os vestibulandos das universidades federais. Com isso, o Enem se transformou num vestibular nacional unificado. Para os pedagogos, a partir do momento em que o governo converteu a expansão das universidades federais em bandeira política na eleição presidencial de 2010, Haddad teria tomado medidas equivocadas, implementadas às pressas.

“Além de considerar o banco de 20 mil perguntas pequeno demais, tal a magnitude que o Enem alcançou, os especialistas lembram que a direção do Inep foi trocada três vezes nos dois últimos anos e acusam o MEC de açodamento. Para Tufi Machado Soares, professor da Universidade Federal de Juiz de Fora e considerado um dos principais especialistas em avaliação do País, a mudança da função do Enem só deveria ter sido iniciada depois que o Inep tivesse um banco com pelo menos 10 mil questões por disciplina. ‘O problema foi a pressa. A mudança no Enem deveria ter levado de três a quatro anos. Se o banco de perguntas fosse maior, não haveria a necessidade de testar questões em um ano para aplicá-las já no outro’, diz Soares. (Editorial, Estadão, 29/10/2011.)

* O Enem virou um vestibular, como o que queriam eliminar

“Idealizado pelo MEC para ser uma alternativa ao vestibular, o Enem, realizado no último fim de semana, se aproxima cada vez mais dos grandes exames realizados pela Cesgranrio até 1987. A pressão sobre os candidatos é a mesma: como o exame é a seleção para 40 instituições, eles jogam numa só prova sua chance de chegar à universidade.” (O Globo, 30/10/2011.)

* “Prova para professores é mais uma jabuticaba”

“Sempre julguei que uma prova nacional para professores fosse uma boa solução. Selecionaria pessoas equipadas para o magistério e apontaria às instituições formadoras aspectos importantes na preparação dos recursos humanos. A recente iniciativa do Ministério da Educação (MEC) mostrou-me que meu repentino otimismo era infundado. Mais uma vez, venceram as corporações. O documento produzido pela comissão responsável reproduz a geléia geral característica dos cursos de Pedagogia, ancorados em teorias da moda, sem fundamentação nem compromisso com os graves problemas da formação do professor, em especial nas matérias básicas. (…)

“Seria um enorme avanço se os professores de Língua Portuguesa dominassem e ensinassem o código alfabético, o código ortográfico e tivessem formação suficiente para ler e interpretar um texto com os alunos. No caso da matemática, o esperado era que tivessem condição de ensinar o sistema de numeração decimal, as quatro operações e soubessem explicar e representar as propriedades das operações, frações, decimais e porcentagens na reta numérica. Em ciências, que dominassem alguns conceitos básicos, como a noção de sistemas, evolução, ciclos e a teoria atômico-molecular, para apresentar os fenômenos e características associadas aos seres vivos e não vivos. Nada disso, parece, cairá na prova do MEC. (…) O MEC tornou-se refém das corporações.” (João Batista Araújo e Oliveira, presidente do Instituto Alfa e Beto, no Estadão, 31/10/2011.)

 As más notícias na Economia

 * “Governo faz jogo perigoso com a inflação”

“O governo está fazendo um jogo perigoso com a inflação e o grande perdedor, a médio prazo, será o trabalhador. Em vez de combater as causas do problema, as autoridades financeiras resolveram adotar medidas de curto alcance para atenuar temporariamente a alta dos preços e dos índices. Com isso, disfarçam os problemas e mantêm aberto o caminho para novos cortes de juros e para a gastança. Ao mesmo tempo, o senador petista Lindbergh Farias, orientado por economistas ligados ao Executivo, defende no Congresso um projeto para incluir entre as funções do Banco Central (BC) estímulos à geração de empregos e ao crescimento econômico. Ninguém deve iludir-se. O objetivo não é tornar o BC brasileiro parecido com o Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos), mas sujeitá-lo aos interesses políticos do governo. A diretoria do BC, em outros tempos ciosa de sua autonomia operacional, assiste sem reação a essas manobras e até aceita a perda de status da instituição. Pior para o brasileiro comum, porque o seu rendimento jamais acompanhará uma inflação acelerada. (…)

“O projeto, se aprovado, com certeza abrirá espaço para mais interferências políticas. Quanto à missão de estimular o desenvolvimento, é pura bobagem. A autoridade monetária só realizará essa tarefa se preservar a estabilidade de preços e a saúde do sistema financeiro. A tolice recomendada pelo senador já foi testada no Brasil, com resultados desastrosos. Esse projeto é apenas mais um componente de uma grande virada inflacionista na política brasileira, apoiada por uma alegre coalizão de pelegos trabalhistas e patronais.” (Editorial, Estadão, 3/11/2011.)

* Previsões para o PIB brasileiro continuam a cair

“As expectativas de crescimento da economia brasileira em 2011 e 2012 vêm despencando ao longo dos últimos meses. Já há instituições que preveem que o PIB fique praticamente parado neste segundo semestre e cresça apenas 3%, ou até menos, em 2012. As causas da desaceleração brusca são as medidas de contenção monetárias, creditícias e fiscais tomadas pelo governo e a forte piora da economia internacional, especialmente dos países ricos, com o agravamento da crise europeia. “O componente extra que surpreendeu foi o cenário externo”, diz Flávio Samara, economista da consultoria LCA, que prevê crescimento de 3% em 2011 e de 3,3% em 2012.” (Fernando Dantas e Irany Tereza, Estadão, 30/10/2011.)

* “Crise mundial impõe corte de impostos”

“Mesmo sem ter feito reformas importantes que aumentassem a capacidade de competir no mundo globalizado, o Brasil foi beneficiado pelo ciclo de crescimento, puxado por uma China ávida por matérias-primas. O país passou a ser fornecedor importante de minérios e alimentos dos chineses, resgatou a dívida externa e, como é de nossa tradição, deitou em berço esplêndido. Deveria despertar agora que o cenário externo leva a crer que durante muito tempo o Brasil não se beneficiará de uma conjuntura de expansão mundial, que mascarou suas deficiências. (…) Pesquisa do Brasil Eficiente indica um custo 30% superior dos produtos brasileiros em relação a uma média de seis países (EUA, França, Inglaterra, Austrália, África do Sul e China). O Brasil tende a ficar fora de mercado.” (Editorial, O Globo, 30/10/2011.)

 Esta não é prova da incompetência de Dilma, mas também é má notícia

* O PT arrota democracia, mas é pau mandado do corolenão

“Em ação conjunta com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente Dilma Rousseff pediu na segunda-feira, 31, à senadora Marta Suplicy (PT-SP) que abandone sua pré-candidatura à Prefeitura da capital paulista na eleição de 2012. A ação abre caminho para chancelar o ministro Fernando Haddad (Educação) como o candidato do PT na disputa. O encontro entre Marta e Dilma, e o respectivo pedido de desistência, foram divulgados pela própria Presidência da República em ato acertado com a senadora. O apelo feito por Dilma faz parte do roteiro combinado com Marta, que anuncia na quinta-feira, 3, em São Paulo a desistência da pré-candidatura à Prefeitura. Acuada no PT pela operação de Lula a favor de Haddad, a ex-prefeita paulistana ficou sem respaldo interno para dar continuidade ao projeto de disputar prévias, marcadas para novembro.” (Julia Duailibi, Vera Rosa e Andrei Netto, Estadão, 2/1/2011.)

 * O poderoso chefão pode tudo e mais um pouco

“Dizer que a senadora Marta Suplicy ‘concorda’ em desistir da candidatura à Prefeitura de São Paulo é quase uma licença poética. O anúncio da desistência, previsto para hoje, significa apenas que o ex-presidente Lula por intermédio da presidente Dilma Rousseff deu a Marta a prerrogativa de comunicar a retirada. Espera-se no PT que ela o faça alegando compreender que é o ‘melhor’ para o partido. A julgar pelo que disse Marta há pouco tempo, não é o que ela pensa de verdade. Em mais de uma ocasião a senadora falou que Lula só continuaria investindo na candidatura de Fernando Haddad se quisesse perder a eleição. Disse também que Lula podia muito, mas não podia tudo dentro do partido. Não foram exatamente essas as palavras, mas na essência foi isso. Mostrava-se disposta a confrontar o chefe, que, como se vê pela posição da seção paulista do PT e até por declarações da direção nacional, continua podendo tudo e mais um pouco.” (Dora Kramer, Estadão, 3/11/2011.)

4 de outubro de 2011

Outros apanhados de provas da incompetência de Dilma e do governo:

Volume 1 – Notícias de 20 a 27/4

Volume 2 – Notícias de 28/4 a 4/5

Volume 3 – Notícias de 4 a 6/5

Volume 4 – Notícias de 7 a 10/5

Volume 5 – Notícias de 10 a 17/5

Volume 6 – Notícias de 17 a 21/5

Volume 7 – Notícias de 22 a 27/5

Volume 8 – Notícias de 28/5 a 2/6

Volume 9 – Notícias de 3 a 10/6

Volume 10 – Notícias de 11 a 17/6

Volume 11 – Notícias de 18 a 23/6

Volume 12 – Notícias de 24/6 a 8/7

Volume 13 – Notícias de 8 a 14/7

Volume 14 – Notícias de 15 a 21/7

Volume 15 – Notícias de 22 a 28/7

Volume 16 – Notícias de 29/7 a 4/8

Volume 17 – Notícias de 5 a 11/8

Volume 18 – Notícias de 12 a 18/8

Volume 19 – Notícias de 19 a 25/8.

Volume 20 – Notícias de 26/8 a 1º/9.

Volume 21 – Notícias de 2 a 8/9

Volume 22 – Notícias de 9 a 15/9

Volume 23 – Notícias de 16 a 22/9

Volume 24 – Notícias de 23 a 29/9.

Volume 25 – Notícias de 1º a 27/10