A glória de César e o punhal de Brutus

Os Proletários Armados para o Comunismo, mais Tarso Genro, mais Eduardo Suplicy, mais Lula e um grande séquito de simpatizantes das utopias regressivas estão em festa.

 

Césare Battisti está livre, pode flanar tranqüilo pelas ruas do País, e se facilitar ainda recebe uma generosa pensão do Estado brasileiro por ter ficado preso na Papuda.

A Justiça italiana foi julgada pela Justiça brasileira e considerada inepta. A democracia italiana foi julgada pela democracia brasileira e considerada incompetente.

A decisão do STF de conceder liberdade a Battisti, em acatamento à decisão do então presidente da República, que lhe concedeu asilo no apagar das luzes de sua épica gestão, só não foi o espetáculo mais patético da semana porque um dia antes houve a despedida de Palocci no Planalto.

Foram duas óperas bufas, muito embora a despedida de Palocci tivesse sido enobrecida por um fundo de clássica inspiração shakespereana. Ao se despedir da presidente Dilma, com um belo punhal cravado nas costas, Palocci poderia ter dito a ela e aos companheiros que o cercavam e principalmente à senadora nomeada para substitui-lo: “Até tu, Brutus? “.

Os Marco Antonios fizeram os seus discursos em homenagem àquele “homem honrado” e todos foram para casa limpando e escondendo os punhais com que despacharam pela segunda vez o incômodo companheiro, reincidente em inconveniências comportamentais e políticas.

E tudo por um “projeto pessoal”, como pontificou a substituta, dando a entender que estaria disposta a anistiá-lo se a causa fosse coletivo- partidária, como a dos bravos guerreiros do mensalão.

Um dia depois do edificante espetáculo, que o falecido e notável escritor e crítico literário Álvaro Lins poderia ter chamado de “A Glória de César e o Punhal de Brutus”, eis que o Supremo Tribunal Federal se reúne para decidir se deveria estar mesmo reunido para decidir, afinal de contas, algo que o próprio Presidente da República, na época, já tinha decidido.

Ou seja: se Césare Battisti podia ou não ser considerado um asilado político e se, como tal, poderia ser colocado em liberdade.

O emaranhado jurídico, um tanto surrealista, não é fácil de entender: no final do ano passado, o STF concluiu que Battisti deveria ser devolvido à Justiça italiana, mas concluiu também que a palavra final deveria ser dada pelo presidente da República.

O presidente demorou e decidiu pela concessão do asilo. O caso voltou ao STF que deveria decidir se a decisão do presidente era mesmo decisiva ou se ainda cabia a ele, STF, decidir sobre a decisão do presidente.

Deu-se que 6 juizes acharam que a decisão do presidente era decisiva e 3 acharam que não.

O fato é que Battisti está livre, você poderá cruzar com ele em qualquer esquina, e se tiver estômago poderá até ler algum dos romances “noir” com os quais ele diz que pretende ganhar a vida.

Matou quatro? Mas esse é um detalhe, ele apenas queria libertar a Itália da democracia.

Este artigo foi originalmente publicado no Blog do Noblat, em 10/6/2011.

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