Velho candidato

A Itália tem uma tradição de cultuar seus velhos mais importantes, que tiveram uma vida marcante e construíram obras para a posteridade, e costuma reverenciá-los, chamando-os de “grandi vecchi” (grandes velhos). Continue lendo “Velho candidato”

Um estado racial

“Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”.

 Ou o artigo 5º da Constituição Federal foi revogado ou o Estatuto da Igualdade Racial é inconstitucional. Não há outra hipótese. Continue lendo “Um estado racial”

Concerto para clarineta

Sempre que chove à noite como hoje aqui em Campinas, uma chuva mítica e de lentos espantos, lembro de Lars Bjenikold. Imagine uma pequena cidade perdida no litoral do Pará, onde a estação das águas provoca dias de umidade tão intensa que as gotas de vapor chegam a escorrer em nossa própria alma. Pois ali eu tinha uma casinha, franciscana e simpática, há tempos. Continue lendo “Concerto para clarineta”

Culpa de quem?

Mesmo tendo sido criada em fazenda, custei a conviver com tratores.

Meu pai, mineiro, antigo, cauteloso, incapaz de um passo maior que as pernas, pelejava com arados e carros de bois. Continue lendo “Culpa de quem?”

Um dia quero imitar Buñuel

Um dia gostaria de fazer um texto com coisas de que gosto e coisas de que não gosto – uma necessariamente pobre cópia do que fez Buñuel, de forma genial, em sua autobiografia escrita por Jean-Claude Carrière, Mi Ultimo Suspiro. (Sim, é autobiografia, porque é o espírito de Buñuel – embora tenha sido escrita por Carrière, seu comparsa em vários filmes.) Continue lendo “Um dia quero imitar Buñuel”

Palmadas estatais

Não sabemos nos comportar e tampouco sabemos como cuidar dos nossos flhos. Para sorte nossa, o Estado pai, mãe, provedor, empresário, indutor, educador, fiscal, guia e farol dos nossos dias, se dispõe a cuidar de mais essa lacuna do nosso caráter. Continue lendo “Palmadas estatais”

A moça da tarde

Foi então que, meio na fossa, resolvi, naquele verão, ir para uma cidadezinha na região de Serra Negra para procurar, como se dizia antigamente, meu eixo. Instalei-me numa pousadinha barata e, em poucos dias, estava relativamente bem inserido num pequeno grupo que, todo fim de tarde, ia tomar seus drinques no Ponto Chic. Continue lendo “A moça da tarde”

O avô e o neto

Mandei mensagem à minha filha, que estava fora de casa: “Não conte para o César, mas estou usando a caneca do Batman”. Não vejo problema em um avô usar a caneca do neto, às escondidas. Continue lendo “O avô e o neto”