A guerra perdida

Na última semana o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, aproveitou o início do feriado do Purim – festa judaica para celebrar a salvação dos judeus persas, descrita no livro de Ester – e contracenou com um humorista na televisão, combatendo fake news sobre vacinas. No mesmo dia Jair Bolsonaro fez uma live no sentido inverso, para combater o uso de máscaras como medida preventiva ao coronavírus. Os dois episódios ilustram por que Israel é um caso de sucesso na vacinação em massa e o Brasil é uma tragédia de proporções crescentes. Continue lendo “A guerra perdida”

Os médicos do jornal

Na época em que redigir notícia produzia barulho – o dos teclados das Olivettis, as máquinas de escrever – o consultório médico do Estadão/JT ficava no térreo da nova sede, na Marginal do Tietê. O médico que nos atendia era um senhor de maneiras conservadoras, com a fala de um avô dando conselhos. Continue lendo “Os médicos do jornal”

Sob o domínio dos ratos

Relaxamento da lei da improbidade e das regras para prisão de parlamentares, com abrandamento na Lei da Ficha Limpa. O pacote da impunidade, deflagrado fora dos ritos regimentais e com celeridade jamais vista, é o primeiro efeito prático da aliança deletéria entre o centrão e o presidente Jair Bolsonaro, aquele que enganou seus eleitores se dizendo um combatente da corrupção.  Continue lendo “Sob o domínio dos ratos”

O país tem que escolher: ou Bolsonaro ou a vida

Na semana em que se completou um ano exato do primeiro diagnóstico de infectado pelo novo coronavírus no país, o Brasil está vivendo o pior momento da pandemia que é a mais grave crise sanitária do planeta em um século – e o presidente da República chegou ao cúmulo, ao absurdo, ao crime inominável de discursar contra a arma básica para enfrentar a doença, a máscara. Continue lendo “O país tem que escolher: ou Bolsonaro ou a vida”

Não há nada pior que o bolsolulismo

Só há uma sensação pior do que estarmos no mais infernal de todos os mundos, chafurdando no mar de lama sem fim que é o desgoverno Bolsonaro. A de que podemos estar nos encaminhando para, em 2022, nos depararmos com o mesmo cenário desesperador de 2018: a escolha entre o bolsonarismo e o lulo-petismo.

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O custo da guinada nacional-populista

A Petrobras volta a ter um presidente militar, depois de 32 anos. Desde a campanha “o petróleo é nosso”, a estatal é uma questão sensível para as Forças Armadas. À época, dividiam-se entre “nacionalistas” como Horta Barbosa e Estilack Leal – defensores do monopólio estatal, – e “entreguistas” liderados por Juarez Távora e Eduardo Gomes, adeptos da presença do capital estrangeiro na exploração petrolífera. Continue lendo “O custo da guinada nacional-populista”

Impeachment por traição

Está lá na página 74: “os preços praticados pela Petrobras deverão seguir os mercados internacionais…”. Na página 10, outra garantia: “faremos uma aliança da ordem com o progresso, um governo liberal democrata”. No caput, o compromisso com um “governo decente…sem toma lá-dá-cá, sem acordos espúrios”. Continue lendo “Impeachment por traição”

O país do passado

Países entram em declínio. Perto de nós temos um exemplo clássico, a Argentina. Nas três primeiras décadas do século passado fazia parte do rol das nações desenvolvidas, com um PIB per capita igual ao da Alemanha e superior ao da Itália, Espanha e Suécia. Era uma economia aberta, conectada ao mundo. Entrou em decadência com a ascensão do peronismo na década 40 em virtude do fechamento de sua economia. De país do futuro, virou o país do passado. Até o tango, expressão da alma, ficou parado no tempo, símbolo da nostalgia de sua belle époque. Continue lendo “O país do passado”

Pra que vacina, se o importante é ter arma?

Estimulado pelo presidente da República, comprou uma arma para proteger-se. Saiu à rua para o que desse e viesse. Morreu sem disparar um tiro. Foi pego pelo vírus. Se Bolsonaro tivesse dito “eu quero todo mundo vacinado”, não estaríamos com os mais de 239 mil mortos da pandemia de hoje. Mas o que disse, recentemente, foi: “Eu quero todo mundo armado”. Continue lendo “Pra que vacina, se o importante é ter arma?”

Bolsonaro vai passar

Talvez a culpa seja do cancelamento do carnaval, dias de alegria, mesmo fugazes, em que “uma ofegante epidemia” invade o corpo e a alma da nossa “pátria-mãe tão distraída”. Em vez de folia, peito apertado, coração doído, bolso e barriga vazios, incertezas.  Continue lendo “Bolsonaro vai passar”