Festival de desatinos

Esta semana tive uma discussão exaltada com um amigo que defendia que a gente perde muito tempo comentando as besteiras da Damares. Jornalista, intelectual, aguerrido lutador de esquerda quando mais jovem, ele acha que no que importa – a economia – o governo Bolsonaro vai muitíssimo bem. Continue lendo “Festival de desatinos”

Bolsonaro dá nojo

Por que razão um homem público, um líder político, sairia de um procedimento médico absolutamente normal dizendo que pode ser que seja câncer – se não há ainda indício algum de que possa ser câncer? Continue lendo “Bolsonaro dá nojo”

A nova plumagem dos tucanos

Ainda que preste homenagens ao seu passado, o “novo PSDB” tem pouco a ver com o de sua fundação. Se na origem tinha uma forte preocupação social e de combate às  desigualdades, questões próximas às da social-democracia européia, sua nova configuração está mais para a de um partido de direita situado no campo democrático. Continue lendo “A nova plumagem dos tucanos”

Incultos contra a cultura

Por ignorância ou puro ódio, de caso pensado ou não, o bolsonarismo encarnou de vez as vestes de inimigo-mor das artes, da cultura. E parece adorar o papel. Desdenha do melhor produto brasileiro e, mais grave, fere a identidade nacional, indissociável da cultura. Um vale tudo de baixíssimo nível para destruir uma imaginária hegemonia ideológica de esquerda nas artes. Continue lendo “Incultos contra a cultura”

A ilha do dr. Carvalho

Caro Leitor: você leu A Ilha do dr. Moreau, do grande escritor inglês H. G. Wells? O livro é muito interessante e absorve o leitor desde o primeiro parágrafo. Conta a historia do sobrevivente de um naufrágio que é resgatado por um navio que tem como missão levar para uma ilhota no Pacífico animais selvagens. O náufrago, cujo nome é Pendrick, é obrigado a desembarcar junto com as bestas. Continue lendo “A ilha do dr. Carvalho”

Marina em modo ginasta romena

Às 17h21, poucos minutos depois de sair do Grão, seguramente ainda na rua (ela caminha cerca de 1 km todos os dias entre a escola e a casa), e apenas dois dias depois de nos ter visto durante muitas horas, Marina mandou pelo telefone da Cau uma mensagem de voz:

– “Vovô, vovó, vocês podem vir aqui brincar comigo?” Continue lendo “Marina em modo ginasta romena”

Help!

Quando os meninos John, Paul, Ringo e George se reuniram lá nos idos de 1960 pra formar um conjunto, jamais imaginariam que quase 60 anos depois alguém apontaria a alta nocividade escondida por trás do tipo de música que eles tocavam. Apesar de terem passado por vários estilos, se consagraram mesmo no rock, que ia do folk ao psicodélico, o que pode representar, atualmente, um perigo para alguns seres desprovidos de cérebro.

Continue lendo “Help!”

Tempo perdido

Não há o que comemorar nos resultados do Pisa. Eles mostram que a Educação brasileira está estacionada e não apresenta avanços significativos no sistema internacional de avaliação do ensino da OCDE, realizado a cada três anos em estudantes de 15 anos de idade. A última edição foi aplicada em 2018 e divulgada nesta semana. Se por um lado a pontuação dos alunos aumentou levemente na comparação a 2015, por outro o Brasil desceu mais alguns degraus no ranking mundial em matemática e ciências, mantendo-se estável em leitura. Continue lendo “Tempo perdido”

Aí Sim!

“Não se assustem se alguém pedir o AI-5 em reação à quebradeira na rua”, disse nosso ministro da Economia esta semana lá nos esteites, se referindo ao discurso de Lula convocando o povo para as ruas. Continue lendo “Aí Sim!”

São Paulo não parou

São Paulo, 1986. 18h30.

Há 2,5 milhões de carros nas ruas. Disputam 770 quilômetros de avenidas principais. Brigam com 4 mil semáforos. Desviam dos remanescentes das 3 mil obras que esburacam as ruas todo ano. E dos mil veículos que quebram todo dia. Nos 8 mil ônibus da cidade, há 6,67 passageiros por metro quadrado (média comemorada pela Prefeitura; até ano passado eram 10,86). E 200 mil pessoas se emburacam  nas estações do metrô. Na Avenida Paulista… Continue lendo “São Paulo não parou”

Predador por natureza

Sem plano algum para combater o aumento indecente do desmatamento na Amazônia, o governo Jair Bolsonaro conseguiu pelo menos um feito inédito. É o primeiro a ter uma política antiambiental. Mais grave: o presidente se orgulha disso. Resta saber quais ganhos ele espera ter com o antiambientalismo. Continue lendo “Predador por natureza”